
“Eu disse - resmungou ela, empurrando o pé para dentro do calçado - que o tesserato - empurrou de novo - existe, sim. - O pé entrou na bota, e ela pegou seus lenços, cachecóis e chapéu e saiu apressada porta afora. A Sra. Murry continuou estática, sem se mexer para ajudar a idosa. Quando a porta se abriu, Fortinbrás entrou como um raio, arfante, molhado e reluzente como uma foca. Ele olhou para a Sra. Murry e ganiu.”
Quando o Senhor Murry está trabalhando em um projeto fora de casa e deixa de dar notícias, toda a família fica desolada de saudade, a fofoca da cidadezinha que eles vivem é que o pai Sr. Murry, deixou a mãe, Sra. Murry, e os filhos por outra mulher. Mas Meg nunca acreditou nisso, ela e toda a sua família sabem que o Pai estava trabalhando e que ele irá voltar, o problema é: voltar de onde e quando?
Uma visita inesperada no meio da noite, de uma senhora bem diferente faz com que a vida da garota mude e que ela tenha a esperança de que pode trazer seu pai de volta, afinal, segundo a velha senhora, o Tesserato, que seu pai estava trabalhando, existe sim. Mas o que seria esse Tesserato e onde seu pai estaria? Meg, seu irmão mais novo, Charles Wallace e o amigo Calvin viajam com três senhoras peculiares entre o tempo e o espaço para encontrar o Sr. Murry.


“Uma dobra no tempo”, foi um dos livros pautados e discutidos no 19º #ClubedoLivroBH. Interessante e diferente, é como eu descreveria essa história. Passando as páginas descobrimos como cada qualidade e defeito dos personagens fazem deles únicos e especiais, além de ajudar na missão que tem pela frente. O grande vilão, tem muita relação com o contexto político e os conflitos existentes da época em que foi escrito, além de poder ser facilmente visto na sociedade atual também, não irei falar muito sobre ele para não dar spoiler. Este fato, faz com que o livro seja completamente atemporal.
“A corda de pular batia no asfalto no exato instante da bola. Quando a corda passava por cima da cabeça da criança pulando, a criança com a bola pegava a bola. A corda descia. A bola caía. Repetidamente. Sobe. Desce. Tudo no mesmo ritmo. Tudo idêntico. Tal como as casas. Tal como as ruas. Tal como as flores.”
Apesar da leitura ter sido um pouco difícil para mim, pois não estou acostumada com ficção científica, a história prende o leitor até o final. Entrei em mundo de fantasia e viajei pelo o universo com Meg, Calvin e Charles para encontrar o Sr. Murry. Fiquei com uma pequena raiva de Meg, por sempre pensar que dependia da ajuda dos outros para continuar, gostei do protagonismo que ela teve no desfecho da trama, e principalmente, compreendi no Posfácio a mensagem que Madeleine quis passar com a personagem.



"Uma dobra no tempo" é um clássico da ficção científica, ganhador do prêmio Newbery em 1963. Nesta reedição da editora Harper Collins ao final podemos ler o discurso de Madeleine para o prêmio e um Posfácio escrito por sua neta Charlotte Jones Voiklis, contando um pouco sobre a vida de sua avó, as dificuldades para publicar o livro e como este foi escrito: alterações que Madeline teve que fazer e como a história original tinha duplo sentido sobre um governo ditador e opressor, além de contar que o livro, apesar de clássico, ainda é bastante restrito nas escolas.
Essas duas coisas fizeram com que essa edição fosse especial, porque faz com que o leitor entenda não só a trama, mas um pouco sobre como a escritora pensava e se sentia. A capa dura da diagramação é um detalhe que fez com que ele ficasse uma coisa fofa, além das páginas pretas com pontos brancos que para mim simboliza o universo com as estrelas. O livro teve seus direitos comprados pela disney, e sua adaptação cinematográfica tem estreia prevista nos Estados Unidos para o dia 9 de março de 2018. O trailer do filme se mostrou muito bom, e já me fez ansiar pelo resultado.





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